Maretório:

Abrindo espaço para comunicar sobre ciência, conservação e mudanças climáticas

O Projeto Maretório está enraizado na comunidade. Ao promover perspectivas e conhecimentos comunitários, este projeto fortalecerá as comunidades costeiras tradicionais e aumentará sua resiliência às mudanças climáticas.

Especificamente, o Projeto Maretório tem como objetivos:

  1. Sistematizar o conhecimento da comunidade em torno do tema da mudança climática;
  2. Criar um ambiente de diálogo com as comunidades sobre a mudança climática e conservação de seus sistemas sócio-ecológicos;
  3. Produzir materiais de divulgação e conscientização sobre a mudança climática e seus efeitos sobre as comunidades envolvidas;
  4. Promover e melhorar o engajamento da comunidade com políticas públicas baseadas em contextos locais e os efeitos da mudança climática em seus meios de subsistência e conservação.

Ao darmos estes passos juntos, desenvolveremos uma abordagem para comunicar a mudança climática a jovens e adultos em comunidades costeiras tradicionais em todo o Brasil.

Foto: Toby Matthews, Ocean Image Bank

AS COMUNIDADES COSTEIRAS E AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS

As comunidades costeiras tradicionais são mais afetadas e sofrerão mais com os efeitos da mudança climática do que contribuíram ou contribuirão para este fenômeno, uma das facetas da injustiça climática. As discussões internacionais frequentemente ignoram os efeitos diretos da mudança climática na escala local, onde as comunidades tradicionais vivem e onde as consequências da mudança climática serão cada vez mais sentidas. Para corrigir isso, as ações de adaptação devem ser concebidas e realizadas em conjunto localmente, o que requer o conhecimento e o engajamento das populações locais.

Este projeto gira em torno do conceito de maretório, o equivalente marinho de “território”. As ideias em torno do maretório estão enraizadas em uma forte conexão das populações locais com a costa e o mar, de modo que seus próprios modos de vida – incluindo sua identidade, cultura e subsistência – encontram-se profundamente entrelaçados com os espaços ao seu redor.

Atualmente, os planos de manejo das Reservas Extrativistas Marinhas (RESEXs) em Bragança e Corumbau não incluem a mudança climática, apresentando uma lacuna significativa na resiliência desses habitats e comunidades às ameaças da mudança climática. Este projeto contribui para preencher esta lacuna de conhecimento ao alavancar – e gerar uma compreensão compartilhada – das percepções da comunidade a respeito da mudança climática, incluindo problemas que mais preocupam os membros da comunidade e oportunidades de adaptação.

Através de uma variedade de abordagens das ciências sociais e do engajamento comunitário, o Projeto Maretório contribui para conectar e compartilhar as perspectivas de diversos atores, grupos etários e gêneros nas RESEX  Caeté-Taperaçu e Corumbau. Ao alavancar este conhecimento, este projeto contribuirá para o bem-estar, a representação e a resiliência das comunidades costeiras tradicionais no Brasil.

RESERVA EXTRATIVISTA MARINHA DO CORUMBAU- BAHIA

RESERVA EXTRATIVISTA MARINHA DE CAETÉ-TAPERAÇU- PARÁ

Atendimento às prioridades da COP 26

Este projeto se conecta a uma série de prioridades da COP26, em particular:

Possibilitar a adaptação e a resiliência, identificando prioridades comunitárias, vulnerabilidades e oportunidades de adaptação além de comunicá-las às partes interessadas relevantes.

Proteção das comunidades costeiras e dos habitats através do compartilhamento de conhecimentos, valores e prioridades da comunidade.

Cuidar da natureza e capacitar os indivíduos a agir em soluções baseadas na natureza e lideradas pela comunidade nas regiões costeiras.

Colaborar para desenvolver métodos cooperativos, aprendendo uns com os outros e construindo parcerias comunitárias duradouras e colaborações de pesquisa.

Foto: Jeff Hester/ Ocean Image Bank

Alinhamento do Projeto com os Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável -ODS

ODS 4 - EDUCAÇÃO DE QUALIDADE

O projeto está em sintonia com vários Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Isto inclui trabalhar para conectar escolas em regiões costeiras e universidades internacionais para assegurar uma educação de qualidade, inclusiva e equitativa, bem como o envolvimento multigeracional da comunidade para permitir a aprendizagem ao longo da vida para todos ao redor do tema da mudança climática.

ODS 5 - IGUALDADE DE GÊNERO

Os vínculos com crianças em idade escolar, professores e idosos, onde o equilíbrio de gênero é igual ou tende a distorcer o feminino, complementa o trabalho com líderes comunitários masculinos e femininos e permite que todos os parceiros sejam empoderados, independentemente do gênero

ODS 11- CIDADES E COMUNIDADES SUSTENTÁVEIS

Essa disseminação da ciência do clima e o compartilhamento do conhecimento local dentro e entre as comunidades capacitará os assentamentos costeiros a serem inclusivos, resilientes e sustentáveis ​​em face das mudanças ambientais

ODS 13- AÇÃO CLIMÁTICA

Em particular, os aspectos de parceria e cocriação do projeto irão facilitar estratégias para ações climáticas urgentes por uma variedade de partes interessadas, com base nas percepções e experiências das próprias comunidades sobre mudanças ambientais.

ODS 14 - VIDA NA ÁGUA

O uso do conhecimento acadêmico e da comunidade sobre os ambientes marinhos naturais informará e aumentará a conservação dos recursos oceânicos, bem como a gestão sustentável e sensível ao clima das áreas costeiras protegidas

ODS 17- PARCERIAS PARA OS OBJETIVOS

De modo geral, a abordagem de engajamento da comunidade e facilitação do diálogo fortalecerá os meios de ação em direção ao desenvolvimento sustentável dentro / entre as comunidades costeiras no Brasil e internacionalmente por meio de parcerias globais com os co-investigadores.

Quem Somos

Rebecca Borges

Rebecca é ecóloga marinha com paixão pela conservação da natureza, cartografia e comunicação científica por meio de mapas e histórias. Ela é bacharel em Biologia pela Universidade Federal do Ceará e mestre em Ecologia Aplicada e Conservação pela University of East Anglia (UEA), no Reino Unido. Ela tem doutorado em Planejamento Espacial de Manguezais e Áreas Protegidas pelo Centro Leibniz de Pesquisas Marinhas Tropicais  (ZMT) e pela Universidade de Bremen (Alemanha), em colaboração com a Universidade Federal do Pará. Rebecca também aprende com entusiasmo sobre Ecossocialismo e Ecologia Marxista e, inspirada no saber e na resistência indígena, tenta ajudar na busca, nas palavras de Ailton Krenak, por “ideias para adiar  o fim do mundo”. A comunicação científica pode ser uma das  boas ideias que servirão a esse propósito.

Sara Mynott

Sara é movida pelo desejo de compreender os impactos humanos nos sistemas marinhos e como podemos mitigá-los para produzir os melhores resultados para o meio ambiente e para a sociedade. Seu trabalho como pós-doutoranda na Universidade de Victoria, no Canadá, ultrapassa as fronteiras entre a ciência social e ecológica, política e comunidade. Em sua pesquisa de pós-doutorado, ela explora como co-projetar soluções para os desafios ambientais marinhos, particularmente relacionados ao impacto de contaminantes na costa oeste do Canadá. Paralelamente a este trabalho, Sara contribui para uma série de projetos que utilizam perspectivas e experiências diversas para informar e melhorar a gestão do ambiente marinho, ajudando a criar um ambiente sustentável para as gerações futuras.

Nick Weise

Nick é professor  na Escola de Ciências Naturais da Universidade de Manchester. Sua formação é em química biológica e sustentável, com graduação em Biologia Molecular e doutorado em Biotecnologia Industrial. Anteriormente, Nick trabalhou no Pós-doutorado em Pesquisa Associada e Gerente do Programa de Engajamento Público no Instituto de Biotecnologia de Manchester. Seus interesses incluem processos químicos verdes/ biociências evolutivas, bem como educação online aberta e disseminação de resultados de pesquisa, particularmente para públicos mal atendidos ou de difícil alcance. Seu trabalho nesta área inclui o envolvimento da comunidade multilíngue com várias diásporas em áreas urbanas e a interseção da ciência e da música para experiências de divulgação criativas e envolventes.

Frederico Neves

Frederico é motivado por compreender as relações entre ambientes e sociedades, especialmente nos temas de políticas públicas ambientais, mudanças climáticas, agroecologia, biodiversidade, globalização e sistemas socioecológicos. Atualmente, é Professor Adjunto do Centro de Desenvolvimento Territorial da Universidade Federal do Sul da Bahia. Ele é doutor em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Paraná, mestre em Oceanografia Biológica pela Universidade Federal do Rio Grande e bacharel em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro. É membro do grupo de pesquisa Mudanças Climáticas, Direito e Sociedade e coordena o Bacharelado Interdisciplinar em Ciências.

Instituições parceiras

Para mais informações

maretorio@institutoayni.org

Este foi um dos projetos premiados no Challenge Prize desenvolvido durante o workshop: